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quinta-feira, 27 de março de 2008

É Pau, É Pedra, É o Fim do Caminho

Quantas vezes em nossa vida, diante das dificuldades, essas palavras do conhecido compositor brasileiro vem em nossas mentes? Quantas vezes não pensamos assim: que chegamos ao final de nossas forças, que não dá mais, que se esgotaram as chances?

Às vezes, casais que sua união têm 20 ou 30 anos chegam a esta conclusão: que não dá mais para continuar. As dificuldades são tantas que não dá mais para sobrepujar. Há tanta pedra, tanto pau, muitos sinais de escombros, sinais de que a casa veio ao chão.

Porém, pedra e pau podem ser materiais para a construção da fundação de uma casa bonita. São materiais usados para construir pontes e viadutos, ligando caminhos. Quem não acha bonita uma montanha povoada por fortes árvores? Pedra e pau! Todavia, quando pensamos em pau e pedra, estes materiais estão destituídos de seus entornos naturais que lhe dão vida – árvores e montanhas. Pau e pedra foram usados na crucificação de Jesus para o perdão dos nossos pecados e libertação de nossas vidas – montanha e cruz. Jesus foi crucificado numa cruz de madeira e levantado no monte Gólgota “para que todo que nele creia não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Jesus foi bem claro quando afirmou que “no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16.33).

Dentro de um casamento é impossível não termos aflições, conflitos, opiniões diferentes e, às vezes, até divergentes. Somos humanos e o ser humano é cheio de contradições, até mesmo em sua própria constituição. Somos 60% líquido e parece impossível que nos mantenhamos de pé, caminhemos e façamos as coisas incríveis que fazemos. Mas somos também carne e ossos, materiais tão distintos que parece difícil provar que realmente existimos; porém, existimos e fomos feitos para vivermos juntos uns dos outros. Necessitamos desesperadamente dos demais seres humanos. Se você se observar no espelho por 1 minuto e pensar no seu consumo diário provavelmente milhares de pessoas estarão envolvidas na produção dos bens que você usa, como tomar banho todos os dias, comer 3 vezes ao dia e usar o vestuário que usa, bem como todos os tipos de objetos que você necessita. Já pensou nisso?

Pau e pedra! Materiais tão diferentes e tão necessários para a construção de casas, de pontes, de caminhos. Pontes e caminhos, soluções tão necessárias para reconstruir e reforçar nossos relacionamentos. É pau, é pedra, é o inicio do caminho ...

Rosa Maria de Oliveira del Pino.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

O Deus Grande das Pequenas Coisas

Gastei vários anos de minha vida pensando que Deus queria que eu fizesse grandes coisas. Eu fazia as pequenas coisas também, mas tendo em vista que chegaria o dia em que faria grandes coisas.

Queria ser uma grande mulher usada por Deus como as mulheres da Bíblia, como as mulheres dos grandes missionários. Era isso que eu queria. No entanto, passei meus primeiros anos de ministério limpando bumbuns (3 filhos menores de dois anos), trocando fraudas, preocupada com o que fazer para alimentar bem a minha família. E a roupa suja que nunca acabava? E a casa que nunca se mantinha limpa? E os crentes que tinham que ser consolados, ouvidos, animados e doutrinados? Eu só tinha tempo para clamar a Deus, cuidar dos meus filhos e um pouco da casa. Não dava para trabalhar fora. Mas tudo bem, um dia eu seria uma grande mulher.

Mas depois de 10 anos de ministério, descobri que não havia feito nenhuma grande obra. Nada que merecesse uma menção honrosa, nenhum prêmio, nada... Eu continuava sendo uma pessoa comum.

Veja bem as coisas as pequenas coisas que eu fazia: hospedava muita gente e recebia outros para refeições, visitava pessoas enfermas, orava e intercedia pelas pessoas e por motivos que não compreendia, dava aula para crianças e para casais na Escola Dominical, reservava um tempo com Deus, orava com e pelos meus filhos, aconselhava o pastor meu marido, era sua amiga inseparável apoiando seu ministério. Preocupava-me pelo futuro dos meus filhos, buscava ser uma boa mãe, compreensiva, acolhedora, disciplinar sem ira, responsável e dar bom testemunho. Buscava ser uma boa esposa, não envergonhar meu marido, respeitá-lo, amá-lo, cuidá-lo. Orava pelos meus vizinhos, amigos e família. Buscava mostrar misericórdia, ser amorosa e ética. Tudo coisa comum, que todas nós fazemos. Nada que me convertesse em famosa. Ah, houve um tempo em que queria ser escritora. Escrever livros que arrancassem lágrimas das pessoas e que as ajudassem ver quão grande pessoa era eu.

Depois de 25 anos de ministério há algumas coisas que, de tanto Deus repetir, acabei aprendendo:
- As pequenas coisas são o nosso dia a dia;
- As pequenas coisas são mais difíceis de se ver e, por isso, mais difíceis de serem feitas cotidianamente;
- As pequenas coisas são mais difíceis de serem reconhecidas e aplaudidas;
- As pequenas coisas exigem disciplina e continuidade;
- As pequenas coisas exigem anonimato.

Mas as pequenas coisas são coisas que transformam vidas, são o toque do amor de Deus na vida das pessoas. Tenho aprendido através do evangelho a dar importância aos pequenos atos de amor que o Senhor quer que manifestemos dia a dia: "pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram" (Mt 25.35-36). Jesus neste texto fala das pequenas coisas cruciais para um ser humano manter-se vivo: alimento, água, casa, abrigo, roupas, hospedagem, cuidados, companhia e aceitação. Jesus falou dessas necessidades porque ele as sentiu na pele e se identifica com os necessitados. Por isso, a pergunta e o assombro dos justos: "Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos? Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar?" (Mt 25.37-39). Jesus surpreende seus interlocutores se pondo no lugar dessas pessoas que recebem os pequenos atos de amor, as pequenas coisas: "O que vocês fizerem a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram" (Mt 25.40).

Você também se sente como eu que só faz pequenas coisas? Na verdade, o Deus criador de todo o universo se preocupa com os pequenos e cotidianos atos de cuidados e amor. Portanto, para fazer pequenas coisas temos que nos sentir pequenas mulheres, porque necessitamos de humildade e perseverança para fazer pequenas coisas. E isso para Deus é grande, porque são atos prestados diretamente a pessoa de Jesus.
Rosa Maria de Oliveira del Pino